Lifestyle, Travel

A viagem

(1ª parte)

Uma viagem é sempre um ponto de partida para a descoberta, primeiro porque nos predispomos a ir, a soltar as amarras, a deixar para trás o que até aí foi rotineiro, de aceitarmos a incerteza, a insegurança e expormo-nos ao novo, independentemente da razão pela qual a fazemos.

O que tenho para vos partilhar é uma viagem de 6 000 Km, durante onze dias, com passagens por Espanha, França, Suiça e Itália. O destino era Bonaduz – Suiça, para o encontro europeu que assinalava o Trigésimo aniversário do carismático modelo “Ténéré” da Yamaha.

 

Partimos no dia 20 de Agosto de 2013…

… pelas cinco da manhã tendo em mente o objectivo de chegarmos a Bonaduz no primeiro dia do evento. Para isso teríamos que fazer cerca de 2 700 Km em três dias. Primeira lição apreendida nunca fazer mais do 350/400Km diários a não ser por uma razão muito forte, o prazer de condução começa a tornar-se pesaroso e deixa de ser de todo prazer ao ponto de não conseguirmos mais uma posição de condução que seja de todo confortável, para não falar do cansaço acumulado e que nos retira a destreza que tantas vezes nos salva de um ou outro imprevisto. Mas estávamos decididos e empenhados nesta corrida contra o tempo, e acabamos por fazer mil e poucos quilómetros logo a abrir o primeiro dia. Dezassete horas depois e sob calor abrasador, marcávamos o nosso primeiro check-point em Donostia, em plena fronteira com França.

No nosso segundo dia tínhamos como missão chegar a Chalôn-sur-Saône – cidade com mais de três mil anos de história, entre importantes bases navais, feiras medievais, e sendo atualmente um importante centro de negócios. As suas ruas estreitas e edifícios fabris do inicio do século passado transformados em escritórios modernos remetem-nos para cenários bem longínquos no tempo, foi sem dúvida uma verdadeira surpresa nesta nossa corrida contra o tempo. Durante a viagem em mais um dia abrasador, cedo começamos a ressentir o cansaço do dia anterior, estava-se a revelar um autentico pesadelo. Quando estávamos a cerca de 250 Km do nosso destino e já a subir para um enorme planalto da Região da Borgonha, fomos brindados por uma paisagem de enormes campos de lavanda, a qual após ter sido ceifada, enormes tratores a dispersavam no campo deixando um imenso perfume a lavanda. Perfume esse que se revelou um verdadeiro elixir, dando-me uma incrível sensação de bem-estar anestesiando-me por completo e acreditem que a boa disposição era tal que até já dançava ao ritmo de “I feel good” do saudoso James Brown. Dores, quais dores! Foi verdadeiramente incrível e que nos iria ajudar a ultrapassar estes últimos quilómetros neste segundo dia de viagem, pois iriamos passar por umas das estradas com mais sinistralidade da Europa e de maior afluência principalmente por camiões, a famosa N70. Por incrível que pareça é uma estrada em pleno planalto sem subidas e descidas pronunciadas e rectas infindáveis. Por razões de segurança é completamente impossível ultrapassar a não ser por breves troços de duas faixas, pois as vias encontram-se separadas por pinos e separadores centrais e a velocidade é constantemente verificada por centenas de radares.

Terceiro dia de viagem e objectivo cumprido! Ao sairmos de Chalon-sur-Saône sentimos logo um fresquinho contrastante e que tardou em aquecer. A meio da manhã entramos na Suiça e logo as paisagens mudaram consideravelmente, montanha com enormes prados, linhas de caminho de ferro que incrivelmente serpenteiam a montanha, e quando estávamos a aproximar da primeira grande cidade – Neuchatel – a quantidade de grandes máquinas (carros) por metro quadrado é quase obscena, e que aumenta na proporção da Cidade! O dia seria um autentico quebra recordes, cada túnel que passávamos era maior que o anterior, os lagos idem, o de Zurique é qualquer coisa de gigantesco com 90Km2  e cerca de 40km de extensão!  Por entre algumas peripécias, choques culturais, cansaço e superação, foi com enorme alegria e entusiasmo que nos receberam no evento ainda por mais vindos de tão longe, sendo ali tão perto!

Chega assim ao fim esta primeira parte ou sequela como queiram chamar, mas não pretendo com isto criar uma “multilogia” em que o objectivo não é mais do que render o peixe. Obviamente fica muito por contar por entre estas linhas, mas no essencial há a reter que todos somos diferentes e temos diferentes maneiras de analisarmos cada situação. E que apesar de estarmos juntos e promovermos a cidadania europeia, as diferenças por vezes tornam-se abissais, sejam culturais, sociais, económicas, etc… De facto este tipo de experiências dependem também da nossa visão e de como as assimilamos, e de mantermos e incentivarmos a prática de uma mente aberta.

O que pretendo aqui é dar a conhecer a minha visão, da minha experiência e sobretudo partilhar. Esta foi uma parte da minha experiência que decidi partilhar, mas seguramente outras seguiram. Fiquem atentos, e muito obrigado pela vossa atenção.

Related products

VIEW MORE PRODUCTS

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *